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Casamento marcado, filhos e aposentadoria estão entre os sonhos levados pela lama

Por Redação, 26/02/2019 às 09:54
atualizado em: 26/02/2019 às 10:23

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Casamento marcado, filho e dias contados para a aposentadoria. Esses são alguns das centenas de sonhos que foram destruídos em segundos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ouça acima a matéria com a repórter Edilene Lopes.

Nessa segunda-feira (25), quando se completou um mês da tragédia, familiares das vítimas se reuniram na ponte sobre o rio Paraopeba, no centro da cidade, para chorar as perdas, fazer preces consolar uns aos outros e pedir por justiça. 

Aos prantos, Patrícia Anízio conta que a irmã Letícia Mara, enfermeira que trabalhava na Vale e é uma das vítimas, completaria 28 anos no domingo (24). “O que a gente tinha para comemorar? Nada. Uma hora dessas era para estarmos em festa.”

Letícia deixa um filho de apenas um ano e meio e um casamento. “O pai está isolado, não é a mesma pessoa. Acabaram-se os sorrisos e a felicidade”, desabafa Patrícia.

O sonho de construir uma família se encerrou para Paulo Las Casas Melo. Ele estava com casamento marcado para 15 de junho com a noiva Ketlem de Menezes, com quem namorava há mais de uma década. “Estávamos juntos há 13 anos e a Vale fez tudo isso acabar em segundos. Eu perdi a alegria da minha vida, o meu casamento e meu futuro marido. Não só eu, mas milhares de pessoas. Eu me agarro em Deus e Ele vai me sustentar até o final para eu recomeçar, se é que há um recomeço”.

Sonia Neto perdeu o irmão Aroldo Ferreira que contava os dias para a aposentadoria. “Ele trabalhava há 32 anos e se foi no momento mais feliz da vida dele. Parece que quanto mais o tempo passa, aumenta a angústia por ele ainda não ter sido encontrado. Precisamos poder sepultá-lo para fechar esse ciclo”. 

Com uma camisa que diz “99,9% fé e 0,1% chance”, Francisco Adalberto Silva desabafa toda a angústia. “A gente segue nessa esperança de eles aparecerem. Sabemos que é impossível pela situação da lama. A gente sabe que não tem como um ser humano estar vivo ali debaixo. Mas essa esperança continua. Enquanto a gente não encontrar o corpo deles, a gente vai continuar com essa esperança, que é o 0,1% de chance e 99,9% de fé”.
 

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