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WhatsApp admite envio ilegal de mensagens em massa nas eleições presidenciais de 2018

Por Ansa , 08/10/2019 às 16:54
atualizado em: 08/10/2019 às 17:10

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O aplicativo WhatsApp admitiu, pela primeira vez, o envio ilegal de mensagens em massa durante as eleições presidenciais de 2018, nas quais o então candidato Jair Bolsonaro (PSL) derrotou o petista Fernando Haddad. As informações foram reveladas nesta terça-feira  em reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

"Na eleição brasileira do ano passado houve a atuação de empresas fornecedoras de envios maciços de mensagens, que violaram nossos termos de uso para atingir um grande número de pessoas", afirmou Bem Supple, gerente de políticas públicas e eleições globais do WhatsApp, em uma palestra no Festival Gabo. 

O executivo ainda fez duras críticas contra grupos políticos acessados por meio de links responsáveis por disseminarem conteúdo político e fez um alerta para todos os usuários denunciá-los. A maioria dos endereços estão relacionados ao governo Bolsonaro.

"Vemos esses grupos como tabloides sensacionalistas, onde as pessoas querem espalhar uma mensagem para uma plateia e normalmente divulgam conteúdo mais polêmico e problemático", afirmou Supple. "Nossa visão é: não entre nesses grupos grandes, com gente que você não conhece: saia desses grupos e os denuncie".

Durante a palestra, o gerente do WhatsApp explicou também que a companhia desencoraja o "uso de grupos como listas de transmissão de conteúdos". A prática geralmente é utilizada por diversos grupos de apoiadores políticos.

Segundo Supple, o aplicativo de mensagens instantâneas foi criado com o objetivo de "abrigar conversas orgânicas, entre famílias e amigos". Ainda conforme a reportagem, ao ser questionado se o uso do WhatsApp por campanhas políticas vai contra as regras da empresa, ele disse que "não viola desde que se respeitem todos os termos de uso". Nos termos e condições do aplicativo automação e envio massivo de mensagens são vedados. "Todos estão sujeitos aos mesmos critérios, não importa se quem usa é um candidato à Presidência ou um camponês do interior da Índia".

Supple ainda reconheceu a influência do app em processos eleitorais e revelou que a empresa chegou a acompanhar os pleitos na Índia, Indonésia e no Parlamento Europeu.

De acordo com ele, já era esperado que a disputa eleitoral no Brasil seria marcada pela desinformação, principalmente por ter sido "muito polarizada" e porque no país "muita gente usa o WhatsApp como fonte primária de informação e não tem meios para verificar a veracidade do conteúdo.

Apesar da polêmica, a empresa tem adotado diversas medidas para bloquear as contas que estão violando os termos.

Ao todo, foram banidos 2 milhões de contas por mês. No ano passado, o jornal Folha de S. Paulo já havia revelado que empresas de marketing digital foram contratadas para realizar envios de mensagens políticas no WhatsApp durante a campanha das eleições presidenciais.

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