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Reportagem especial da Itatiaia mostra como é o curso do batalhão Rotam

Por Renato Rios Neto, 28/09/2019 às 08:55
atualizado em: 28/09/2019 às 10:58

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Foto: Renato Rios Neto/Itatiaia
Renato Rios Neto/Itatiaia
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"Aqui não se cultuam os fracos”. A frase estampada na sede da Rotam, em Belo Horizonte, indica que o nível de exigência para integrar o batalhão, reconhecido pelo combate à criminalidade violenta na Grande BH, é elevado. O repórter Renato Rios Neto, da Itatiaia, se tornou o recruta 21 por um dia para acompanhar a rotina do curso de ‘Procedimentos Rotam’, considerado referência nacional na formação militar e um dos mais exigentes do país. Tanto que recebe militares selecionados de todas as patentes e batalhões de Minas e até mesmo de outros estados.

O policial que concluir o curso, que dura 70 dias (sete dias por semana) estará preparado para combater diferentes crimes, além de ter a insígnia do batalhão na farda e o nome registrado na galeria imortal dos Rotanianos, que fica na sede do batalhão. Mas ser aprovado no curso não é missão fácil. 

“Os militares, tanto da polícia de Minas Gerais quanto de outros estados, participam de uma seletiva e os melhores colocados entram para fazer o curso de Procedimentos Rotam. Teve uma procura muito grande este ano, porque o batalhão Rotam tem efetuado grandes prisões nos últimos anos”, destaca o tenente Arley Rodrigues, coordenador do curso.

“O curso visa formar o policial militar para trabalhar com os equipamentos e a forma de emprego do batalhão Rotam, que é o combate à criminalidade violenta e organizada, que são os crimes mais nocivos para a sociedade. Então, o policial aqui tem que estar preparado para enfrentar esse tipo de criminoso”, ressalta o tenente.

Renato Rios Neto/Itatiaia

Durante os mais de dois meses de curso a dedicação do policial tem de ser exclusiva, 24 horas por dia, sábados, domingos e feriados. Dos 63 policiais que iniciaram o curso neste ano, 15 já desistiram.  

“É o segundo curso que estou fazendo. Na primeira vez não tive a oportunidade concluir, mas a vontade de ter o raio é inestimável e vou buscar de qualquer maneira”, diz o cabo Moisés Doro, que teve um problema de saúde quando faltava uma semana para concluir o último curso, que exige muito da parte física, técnica e psicológica dos militares. 

O sargento Aleandro Pereira Miranda explica que os policiais precisam lidar com diferentes pressões, como ficar sem comer e sem dormir. “Aqui, enquanto estamos fazendo uma prova, tem bomba estourando, tem gás na sala de aula. (Isso) é para chegar na rua e não se abater”. 

O capitão Antônio Hot destaca que a exigência com a parte técnica, que envolve abordagens, também é elevadíssima. “O militar tem agregar a técnica ao ambiente que se aproxima ao máximo da atividade operacional. Então, ele tem que ter esse conhecimento e saber operar durante as operações”. 

O nível de exigência e a bagagem técnica, física e psicológica para enfrentar o crime organizado fizeram Estéfano Luís Rocha, da PM do Ceará, se inscrever no curso. “A doutrina é conhecida em todo país. É uma das melhores do Brasil, se não for a melhor”, elogia. “Estou levando o conhecimento daqui para agregar valor lá”. 

Há 19 anos na PM de Minas, o capitão Rodrigo Lima Ferreira diz que concluir o curso da Rotam é um sonho. “Sou de origem humilde. Já passei por muitas dificuldades e problemas, mas você tem que fazer a escolha certa. Não dê oportunidade para o crime na sua vida. Você tem que ter um sonho, ter um objetivo, acreditar nesse e buscar esse sonho. Para mim é um orgulho estar na Polícia Militar e servir ao batalhão Rotam e fazer esse curso”. 

Renato Rios Neto, o recruta 21, foi aprovado de maneira simbólica no curso. Ouça a matéria completa e confira o relato pessoal dele, um dos principais jornalistas policiais do país. 

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